Escritórios em Lisboa e Viana do Castelo

Vila Gadanho

Ficha Técnica do Projeto

Localização
Penha de França, Lisboa
Área Total
97 m²
Estado
Concluído
Ano
2024
Arq. Responsável
Luísa Martins e Silva

Reabilitação e ampliação de uma das pequenas moradias da Vila Gadanho, uma antiga vila operária de 1907, na Penha de França, em Lisboa. Com apenas 40 m² de implantação, a intervenção transformou a construção existente numa habitação T2 em duplex, através do aproveitamento do sótão e da ampliação pontual para o logradouro. A preservação da fachada original e a relação privilegiada com o espaço exterior foram determinantes para a organização da nova casa, onde soluções à medida e uma linguagem de inspiração retro-contemporânea permitem tirar o máximo partido de uma área muito reduzida.

O desafio

Como fazer uma casa de dois quartos onde quase não havia espaço para um?

A Vila Gadanho é composta por pequenas moradias em banda, de apenas um piso, originalmente organizadas em quatro divisões interligadas. As construções, de carácter modesto, desenvolviam-se em torno de um pequeno logradouro tardoz, onde originalmente se localizavam as pias de despejos e onde, posteriormente, foram acrescentadas pequenas instalações sanitárias.

Foi neste contexto que surgiu o pedido do cliente: transformar uma destas moradias num T2. A área disponível e as reduzidas dimensões da construção tornavam o programa particularmente exigente.

A intervenção estava ainda condicionada pela necessidade de preservar a identidade da vila. A fachada principal deveria manter o desenho original — marcado pela composição simples de uma porta e uma janela — bem como as caixilharias de madeira. A ampliação para o logradouro teria de ser contida e compatível com a manutenção da área ajardinada.

O desafio era, por isso, aumentar a capacidade da casa sem aumentar significativamente a sua presença no lote, encontrando espaço para dois quartos e garantindo simultaneamente luz, privacidade, arrumação e uma sensação de amplitude.

A solução

A solução passou por aproveitar uma dimensão que permanecia praticamente inexplorada: a altura. Mantendo a cota da fachada principal, elevou-se a cumeeira, permitindo aproveitar o espaço sob a cobertura e transformar a casa num duplex.

No piso térreo, a organização privilegia a relação longitudinal com o logradouro. A cozinha, embora desenvolvida num espaço estreito, foi integrada num open space que se prolonga visualmente para o exterior. Esta relação com o jardim permite que um espaço que poderia ser percebido como um simples corredor ganhe luz, profundidade e amplitude.

Ao fundo, optou-se por um pequeno lavabo, libertando a restante área para um escritório voltado para a rua. A distribuição reduzida ao essencial permite que cada metro quadrado tenha uma função clara, sem sobrecarregar os espaços.

No piso superior, criou-se a área mais privada da casa, com uma suite de teto inclinado e grandes janelas de cobertura, que permitem reforçar a entrada de luz natural e proporcionar ventilação e tirar partido da nova volumetria.

A intervenção não procurou esconder as reduzidas dimensões da casa, mas trabalhá-las a favor do projeto. A relação visual com o exterior, a entrada de luz e o aproveitamento da altura permitem que a casa seja percecionada como mais ampla do que a sua área poderia sugerir.

Ao nível dos materiais, a proposta assumiu uma linguagem mais arrojada, cruzando referências retro com uma leitura contemporânea: pavimento flutuante em espinha em diálogo com mosaico hexagonal, cozinha verde e portas em cinza-claro com almofadas. O resultado é uma casa pequena, mas com uma identidade muito marcada.

Um projeto pequeno não é necessariamente um projeto simples. Pelo contrário: quanto menor o espaço, maior é a exigência sobre cada decisão.

Plantas | Antes

Plantas | Depois

Galeria do Projeto Vila Gadanho